Aula #37 - Métodos de backup e recuperação de dados



Sistemas sem estratégias de backup bem definidas são sistemas mal administrados, sejam eles um ambiente de único usuário ou um grande servidor em uma rede corporativa. 
Mais cedo ou mais tarde dados críticos serão perdidos, devido a falha de hardware, erros de usuário e administrador, ou ataques maliciosos. 
Ser capaz de restaurar o sistema com o mínimo de perda possível de forma rápida e eficiente é uma responsabilidade fundamental que deve ser levada a sério.



 Independente de você estar administrando apenas um sistema pessoal ou uma rede com muitos servidores e estações de trabalho, backups são muito importantes. Algumas das boas razões para se fazer backups são:


  •     Dados são valiosos.
    Dados no disco são um produto importante do trabalho e portanto, uma mercadoria que queremos proteger. Recriar dados perdidos custa muito tempo e dinheiro. Alguns dados podem ainda ser únicos, e pode não haver nenhuma maneira de recuperá-los. 


  •     O hardware falha.
    Enquanto a confiabilidade em mídias de armazenamento aumentou, a capacidade das unidades também aumentou. E mesmo que a taxa de falhas por byte diminui, falhas ainda ocorrem e são imprevisíveis. Talvez não seja pessimista dividir as unidades de armazenamento em duas categorias: as que falharam, e as que vão falhar. Mas no fim esta divisão é essencialmente verdadeira. Usar RAID ajuda, mas backups ainda são necessários.


  •     O Software falha.
    Nenhum software é perfeito. Erros podem destruir ou corromper dados. Mesmo programas estáveis e em uso por muito tempo podem ter problemas


  •     Pessoas cometem erros.
    Todo mundo já ouviu OOPS! (Ou algo muito pior) vindo do cubículo ao lado (ou a partir de sua própria boca). Às vezes, apenas um simples erro de digitação pode causar a destruição em larga escala de arquivos e dados.


  •     Pessoas com más intenções podem causar danos deliberados
    Pode ser o funcionário descontente ou um hacker externo. As preocupações de segurança e a capacidade de backup (e de recuperação) são fortemente relacionados.


  •     Eventos inexplicáveis acontecem.
    Os arquivos podem simplesmente desaparecer sem você saber como, quem, ou mesmo quando ele ocorreu.


  •     Voltar no tempo pode ser útil.
    Às vezes, restaurar partes um backup parcial ou totalmente pode ser necessário. 


Somos de Exatas, mas as vezes acontecem coisas que até Deus duvida, e quando ocorrer, nem Ele vai poder te ajudar!


Alguns dados devem ter backup, alguns talvez, enquanto outros não precisam de backup. 
Em ordem de prioridade:

    Definitivamente:
    - Dados relativos a atividade da empresa.
    - Arquivos de configuração do sistema.
    - Arquivos dos usuários ( /home).

    Talvez sim:
    - Diretórios spool (fila de impressão, fila de e-mail etc.)
    - Arquivos de log (encontrado em /var/log, e em outras pastas).

    Talvez não:
    - Software que pode facilmente ser re-instalado; em um sistema bem gerido isso deve ser quase tudo.
    - O diretório /tmp, pois seu conteúdo deve ser de fato temporário.

    Definitivamente não:
    - Sistemas de arquivos virtuais, como /proc, /dev e /sys.
    - Partições e arquivos de swap. 

Obviamente, arquivos essenciais para a sua empresa exigem backup. Os arquivos de configuração pode mudar com frequência, e junto com os arquivos de usuários individuais, precisam de cópias de segurança.

Arquivos de log podem ser importantes se você tiver que investigar a história do seu sistema, o que pode ser particularmente essencial para a detecção de intrusões e outras violações de segurança. 






Unidades de FITA

As unidades de fita não são tão comuns hoje como foram no passado. Elas são relativamente lentas e só permitem acesso sequencial. 
Em ambientes modernos elas são raramente usadas ​​para backup primário. 
Elas são muitas vezes utilizadas para o armazenamento off-site para fins de arquivamento por longos períodos. 
No entanto, as unidades de fita magnética terão sempre uma vida finita, ou seja, os dados estarão seguros apenas durante a validade da fita.

Unidades de fita modernas são geralmente do tipo LTO (Linear Tape Open), cujas versões começaram a aparecer nos anos 1990 como um padrão aberto; 
As primeiras versões armazenavam até 100 GB; Versões mais recentes podem conter mais 3 TB em um cartucho do mesmo tamanho.




É cada vez mais comum que os backups sejam feitos em algum tipo de NAS (Network Attached Storage ou armazenamento conectado a rede) ou em um serviço na nuvem, o que torna as fita cada vez menos atraentes. No entanto, elas ainda podem ser encontradas e os administradores de sistemas podem ter que lidar com elas.

Algumas distros GNU/Linux são focadas em criar um ambiente NAS com redundâncias, RAID, syncs e interfaces Web, adicionando plugins compatíveis com soluções de backup, etc... Vou explorar algumas delas num post especifico de NAS com Linux.



Vamos tentar não nos concentrar em formatos físicos específicos para mídias de backup, e falaremos de uma forma mais geral. 






Tipos de backup

Nunca se deve guardar todos os backups no mesmo local físico em que estão os equipamentos. 
Caso contrário, incêndios ou outros danos físicos podem levar a uma perda total. 
No passado, isso normalmente significava transportar fisicamente fitas magnéticas para um local seguro. Hoje o mais provável é que a transferência de arquivos de backup aconteça através da Internet para locais físicos alternativos. 
Obviamente, isso tem que ser feito de uma forma segura, utilizando criptografia e outras precauções de segurança.



Vários tipos diferentes e métodos de backup podem ser usados, muitas vezes em conjunto:

    Completo:
    Backup de todos os arquivos no sistema.

    Incremental:
    Backup de todos os arquivos que foram alterados desde o último backup incremental ou completo.

    Diferencial:
    Backup de todos os arquivos que foram alterados desde o último backup completo.

    Incremental multi-nível:
    Backup de todos os arquivos que foram alterados desde o backup anterior no mesmo nível ou em um nível anterior.

    Usuário:
    Backup apenas dos arquivos no diretório de um usuário específico. 




Devemos observar que os métodos de backup são inúteis sem métodos de restauração. É necessário considerar a robustez, clareza e a facilidade das estratégias e backup e restauração.

O esquema de backup mais simples é fazer um backup completo de tudo uma vez, e, em seguida, realizar backups incrementais de tudo o que mudar. Enquanto backups completos podem gastar muito tempo, a restauração de backups incrementais são mais difíceis e demorados. Assim, pode-se usar uma mistura dos dois para otimizar tempo e esforço.

Um exemplo de uma estratégia para fitas (você pode facilmente substituir por outras mídias):


  •     Usar a fita 1 para um backup completo na sexta-feira.
  •     Usar as fitas 2-5 para backups incrementais entre segunda-feira e quinta-feira.
  •     Usar a fita 6 para backup completo na segunda sexta-feira.
  •     Usar as fitas 2-5 para backups incrementais entre segunda segunda-feira a segunda quinta-feira.
  •     Não substituir a fita 1 até a conclusão do backup completo na fita 6.
  •     Após o backup completo de fita 6, mova fita 1 para a localização externa para recuperação de desastres.
  •     Para o próximo backup completo (próxima sexta-feira) troque a fita 1 pela fita 6. 


Uma boa regra é ter, pelo menos, duas semanas de backups disponíveis (depende bastante do 'que' está armazenando). Algumas áreas corporativas devem armazenar por 2 ou 5 anos, ou por contratos ou obrigatoriedade de órgãos regulamentadores.




Programas para backup no GNU/Linux

Existe uma infinidade de programas no GNU/Linux para backup, cada um focando um alvo ou método especifico, como o Amanda, Bácula, e milhões de outros....
Seja nos repositórios padrão, seja por empresas que comercializam softwares. 

DICA:
Um bom exercício, caso tenha tempo, seria formular seu proprio aplicativo de backup, focando 100% suas necessidades, usando alguma linguagem de programação (recomendo muito o Python!!) e somá-lo com algum sistema de automação (Ansible!!)


Uma série de programas primários são utilizados para backup:

    cpio
    tar
    gzip, bzip2, xz

    cpio e tar juntam vários arquivos em apenas um arquivo. Porém é comum que após juntar os arquivos, outro programa seja usado para comprimir os dados. Alguns exemplos são gzip, bzip2, ou xz

O arquivo compactado pode ser gravado em disco, fita magnética ou qualquer outro dispositivo capaz de armazenar arquivos. Arquivos compactados são muito úteis para a transferência de dados entre sistemas e para backup.

    dd
    Este poderoso utilitário é muitas vezes usado para transferir dados brutos (ele lê o disco diretamente, e para ele não faz diferença se o disco está formatado nem se tem algum dado salvo no disco) entre mídias. 
Ele pode copiar partições inteiras ou discos inteiros.

    rsync
    Este utilitário poderoso pode sincronizar árvores de diretório ou sistemas de arquivos inteiros através da rede, ou entre diferentes locais do sistema de arquivos da máquina local.

    dump e restore
    Estes utilitários antigos foram projetados especificamente para backups. Eles leem a partir do sistema de arquivos diretamente (o que é mais eficiente). No entanto, eles devem ser restaurados apenas no mesmo tipo de sistema de arquivos. Existem alternativas mais recentes.

    mt
    Útil para consultar e posicionando fitas antes de realizar backups e restaurações. 






CPIO

cpio (copy in and out) é um file archiver (ferramenta que junta vários arquivos em apenas um arquivo sem compressão) que existe desde os primeiros dias do UNIX e foi originalmente desenvolvido para fitas de backups. Mesmo com programas semelhantes mais modernos (como o tar que não é exatamente jovem) tenham sido desenvolvida para diversas tarefas que já estiveram no domínio do cpio, ele ainda sobrevive.

Por exemplo, nós já vimos como usar o rpm2cpio para converter pacotes RPM em arquivos cpio e como extraí-los. Além disso o kernel do Linux usa uma versão do cpio internamente para lidar com o initramfs e com o initrd durante o boot. Um motivo é que o cpio é mais leve, ou mais eficiente, que o tar e outros sucessores, mesmo sendo menos robusto.



Exemplos de uso do cpio:

    Criar um arquivo:  use -o ou --create:
    $ ls | cpio --create -O /dev/st0


    Extrair de um arquivo:  use -i ou --extract:
    $ cpio -i somefile -I /dev/st0


     Listar o conteúdo de um arquivo:  use -t ou --list:
    $ cpio -t -I /dev/st0


Você pode especificar a entrada (-I dispositivo) ou saída (-O dispositivo) ou usar redirecionamentos na linha de comando.


O parâmetro -o ou --create diz ao cpio para copiar arquivos para dentro de um arquivo cpio. O cpio lê uma lista de nomes de arquivos (um por linha) da entrada pdarão (stdin) e escreve o arquivo cpio na saída padão (stdout).


A opção -i ou --extract diz ao cpio para ler o arquivo cpio e extrar seu conteúdo, lendo o arquivo cpio da entrada padrão. Se você listar nomes de arquivos com padrões (como por exemplo *.c) na linha de comando, apenas arquivos que respeitarem o padrão serão lidos do arquivo cpio. Se nenhum padrão for informado, todos os arquivos serão extraídos.

 A opção -t ou --list diz ao cpio para listar o conteúdo do arquivo cpio. Adicionar o comando -v ou --verbose produz uma listagem longa.





TAR


tar é mais fácil de usar do que o cpio:

     Ao criar um arquivo tar, para cada diretório dado como um argumento, todos os arquivos e subdiretórios serão incluídos no arquivo.
    Ao restaurar os diretórios são recriados conforme necessário.
    Tem a opção --newer que permite fazer backups incrementais.
    A   versão do tar usada no Linux também pode lidar com backups que não são feitos para fita ou para qualquer dispositivo específico. 

Por padrão o tar incluirá recursivamente todos os subdiretórios.

Quando você cria um arquivo, o tar mostra uma mensagem sobre como remover uma barra final do nome de caminho absoluto. Enquanto isso permite restaurar arquivos em qualquer lugar, o comportamento padrão pode ser modificado.

A maioria das opções do tar podem ser passadas de forma curta, com um traço, ou da forma longa com dois traços: -c é completamente equivalente a --create.

Além disso, você pode combinar as opções (quando usando a notação curta), de modo que você não precisa digitar cada traço.

As opções simples do tar podem ser usadas com ou sem traço: tar cvf arquivo.tar dir1 tem o mesmo resultado que tar -cvf arquivo.tar dir1. 


Alguns exemplos de como usar o tar para backups:

     Cria um arquivo tar usando -c ou --create:

    $ tar --create --file /dev/st0 /root
    $ tar -cvf /dev/st0 /root

    Você pode especificar um arquivo ou dispositivo com a opção -f ou --file.
     
    Cria um arquivo tar multi-volume usando -M ou --multi-volume se o seu backup não couber em um dispositivo:

    $ tar -cMf /dev/st0 /root

    O tar vai pedir para você inserir o próximo dispositivo ou fita quando necessário.
     
    Verifica arquivos usando a opção 'compare' -d ou --compare:

    $ tar --compare --verbose --file /dev/st0
    $ tar -dvf /dev/st0

    Após fazer um backup você pode verificar se ele está completo e correto usando as opções de verificação.


As opções -x ou --extract extraem todos os arquivos de dentro to .tar. É possível especificar na linha de comando quais arquivos extrair. Se um diretório for especificado todo o seu conteúdo também será extraído.

A opção -p ou --same-permissions garante que os arquivos serão restaurados com as permissões originais.

A opção -t ou --list lista, mas não extrai, os arquivos dentro do .tar.



Examplos:

     Extrair de um .tar:

    $tar --extract --same-permissions --verbose --file /dev/st0
    $tar -xpvf /dev/st0
    $tar xpvf /dev/st0
     

    Especificar quais arquivos devem ser extraídos:
    $tar xvf /dev/st0 um_arquivo
     
    Listar o conteúdo de um arquivo tar:
    $tar --list --file /dev/st0
    $tar -tf /dev/st0 



Você pode fazer um backup incremental com tar usando a opção -N (ou --newer), ou ainda --after-date. 
Essas opções precisam que você defina ou uma data ou um nome de arquivo/diretório:

$ tar --create --newer '2011-12-1' -vf backup1.tar /var/tmp

$ tar --create --after-date '2011-12-1' -vzf backup1.tar /var/tmp

As duas formas criam um arquivo tar do conteúdo da pasta /var/tmp com o que foi alterado depois de 1 de Dezembro de 2011.

Como o tar só considera a data dos arquivos, alterações em permissões ou no nome do arquivo serão ignoradas. Para detectar estas alterações use a ferramenta find para criar uma lista dos arquivos que você quer salvar.

Lembre-se: Depois de opções como --newer é obrigatório usar um hífen em opções como -vzf, ou o tar vai ficar confuso. Esse tipo de confusão com opções acontece com ferramentas antigas do UNIX como o ps e o tar que tem passados complexos em várias famílias diferentes de UNIX.






COMPRESSÃO

É comum querer compactar arquivos para salvar espaço no disco e/ou tempo de transmissão de rede, principalmente quando computadores modernos são capazes de de compactar->transmitir->decompactar mais rápido do que apenas transmitir (ou copiar) um arquivo descompactado.

Há várias ferramentas de compressão usadas no Linux, que aumentam a eficiência de compressão (ao custo de aumentar o tempo de compressão):

    gzip:  Usa o formato Lempel-Ziv (LZ77), e produz arquivos .gz.
    bzip2:  Usa os algorítimo de compressão de texto Burrows-Wheeler e o algorítimo Huffman, produzindo arquivos .bz2 .
    xz:  Cria arquivos .xz e também suporta o formato legado  .lzma.

Tempos de descompressão não variam tanto quanto os tempos de compressão. Para o dia-a-dia em arquivos pequenos, o padrão é usar apenas o gzip, pois é extremamente rápido, mas para arquivos maiores e para distribuição de arquivos dois métodos são comuns. Por exemplo, o www.kernel.org não fornece o código fonte do kernel do Linux no formato gzip.

O formato .zip é raramente usado no Linux exceto pra abrir arquivos de outros sistemas operacionais.

As ferramentas de compressão são facilmente (e quase sempre) usadas em conjunto com o tar:

$ tar zcvf source.tar.gz  source

$ tar jcvf source.tar.bz2 source

$ tar Jcvf source.tar.xz  source

para produzir um arquivo compactatado contendo vários arquivos. Observe que o primeiro comando faz exatamente o mesmo que:

$ tar cvf source.tar source ; gzip -v source.tar

mas o primeiro é mais eficiente porque:

    O arquivo intermediário não é salvo no disco.
    Agrupar os arquivos e compactar os arquivos acontece em paralelo no pipeline.

Para descompactar:

$ tar xzvf source.tar.gz

$ tar xjvf source.tar.bz2

$ tar xJvf source.tar.xz

ou simplesmente:
$ tar xvf source.tar.gz

como as verões mais modernas do tar conseguem detectar o método de compressão automaticamente.

Obviamente não é vantajoso usar métodos de compressão em arquivos que já usam compressão como imagens .jpg ou arquivos .pdf, etc.





DD

O dd é um dos utilitários originais do UNIX e é extremamente versátil. Sem opções ele faz cópia em um nível muito baixo o que permite copiar até discos inteiros. Ele é capaz de fazer muitos tipos de conversões de dados durante a cópia (como alterar a ordem de bytes) e tem muitas opções para controlar offsets, o número de bytes, o tamanho do bloco, etc.

O dd é usado muitas vezes para ler quantidades fixas de dados a partir de nós de dispositivos como o /dev/zero ou /dev/random. A sintaxe básica é a seguinte:

$ dd if=arquivo-de-entrada of=arquivo-de-saida opções

se os arquivos de entrada ou de saída não forem especificado, o padrão é usar stdin e stdout, que são a entrada e a saída padrão. Rodar: 

$ dd --help

vai exibir uma lista longa de opções. 



Alguns exemplos de como usar o dd:


    Cria um arquivo de 10MB contendo apenas zeros:

    $ dd if=/dev/zero of=arquivo_saida  bs=1M count=10
     
    Copia um disco inteiro para outro (Operação de baixo nível, ou raw. Copia o conteúdo do disco independente de ser utilizado):
    $ dd if=/dev/sda of=/dev/sdb
     
    Salva a imagem de um disco em um arquivo (que pode ser transferida para outro disco posteriormente):
    $ dd if=/dev/sda of=disco_sda.img
     
    Faz backup de uma partição:
    $ dd if=/dev/sda1 of=particao_1.img
     
    Usa o  dd com pipes:
    $ dd if=ndata conv=swab count=1024 | uniq > arquivo_saida




RSYNC

O rsync (remote synchronize ou sincronismo remoto) é usado para transferir arquivos pela rede (ou entre locais diferentes em um mesmo computador) como em:

$ rsync [opções] origem destino

A origem e o destino podem usar a forma alvo:caminho em que alvo pode estar no formato [email protected] A parte [email protected] é opcional e só é necessária quando o usuário remoto é diferente do usuário local. Exemplos válidos de uso do rsync:

$ rsync arquivo.tar [email protected]:/usr/local

$ rsync -r servidor-a:/usr/local servidor-b:/usr/

$ rsync -r --dry-run /usr/local /BACKUP/usr

Você deve ser muito cuidadoso com o rsync sobre os locais que você especificar (principalmente quando você usar a opção --delete), por isso é recomendado que você use a opção --dry-run antes, e então repita o comando sem o --dry-run se tudo parecer correto.

O rsync é esperto, ele compara o arquivo local com o arquivo remoto em pequenos blocos de dados, e é super eficiente para atualizar diretórios que tem conteúdo parecido, apenas as diferenças são copiadas pela rede. A opção -r faz com que o rsync percorra o diretório recursivamente copiando tudo o que encontrar pelo caminho determinado por origem.  Uma forma eficiente de fazer um backup de um diretório seria:

$ rsync -r projeto-X servidor-backup:backups/proejto-X

Uma forma simples e eficiente de fazer backups é simplesmente duplicar diretórios ou partições pela rede usando o rsync, e fazer isso com frequência.








DUMP e RESTORE


O dump e o restore existem desde os primeiros dias do UNIX e não foram originalmente concebidos para sistemas de arquivos e dispositivos modernos.

Ao contrário do cpio e do tar, estes utilitários leem e escrevem diretamente o sistema de arquivos, o que é mais eficiente e permite que os arquivos de backup sejam criados sem afetar as flags de tempo dos arquivos.

Aspectos positivos incluem:

  •     Pode executar backups completos ou incrementais.
  •     Compreende formato de sistema de arquivos específico.
  •     Eficiente para criar backups completos, o movimento das cabeças reduzido.
  •     Pode especificar parâmetros de baixo nível do formato de saída como tamanho e densidade da fita, tamanho do bloco, etc.
  •     Pode escrever em a qualquer dispositivo ou arquivo: o padrão é /dev/tape.
  •     Parâmetros no /etc/fstab controlam quando o dump é executado e em qual dispositivo.  


Características negativas incluem:


  •     Várias passagens do sistema de arquivos são necessários para backups.
  •     Só funciona para sistemas de arquivos ext2, ext3, e ext4. (Outros sistemas de arquivos podem ter seus próprios utilitários como xfsdump.)
  •     Não pode ser executado com segurança em sistemas de arquivos montados. 


A falta de flexibilidade do sistema de arquivos é uma limitação muito forte, tanto por causa da variedade de tipos de sistemas de arquivos em uso no Linux, e pela tendência moderna de abstrair detalhes de implementação como o formato de escrita no disco.

dump e restore às vezes são usados ​​por programas de backup de nível mais alto como o Amanda. Alguma familiaridade com essas ferramentas de legado é útil.




DUMP

O dump tem várias opções, entre elas:


    -0-9
    Nível do dump:  Nível 0 é backup completo enquanto números maiores são para backups incrementais.
     
    -B registros
    Registros por volume.
     
    -b tamanho_do_bloco
    KB por registro.
     
    -f arquivo
    Arquivo ou dispositivo de saída.
     
    -u
    Atualiza o arquivo /etc/dumpdates.
     
    -W
    Exibe a data do dump mais recente para cada sistema de arquivo listado no /etc/dumpdates.



Um exemplo bem simples de um dump completo nível 0 da partição /dev/sda2 montada em /boot_master:



$ sudo dump -0uf /tmp/boot_backup /boot_master

     DUMP: Date of this level 0 dump: Mon Nov  3 12:54:40 2014
    DUMP: Dumping /dev/sda2 (/boot_master) to /tmp/boot_backup
    DUMP: Label: boot
    DUMP: Writing 10 Kilobyte records
    DUMP: mapping (Pass I) [regular files]
    DUMP: mapping (Pass II) [directories]
    DUMP: estimated 985 blocks.
    DUMP: Volume 1 started with block 1 at: Mon Nov  3 12:54:40 2014
    DUMP: dumping (Pass III) [directories]
    DUMP: dumping (Pass IV) [regular files]
    DUMP: Closing /tmp/boot_backup
    DUMP: Volume 1 completed at: Mon Nov  3 12:54:40 2014
    DUMP: Volume 1 1030 blocks (1.01MB)
    DUMP: 1030 blocks (1.01MB) on 1 volume(s) 
    DUMP: finished in less than a second
    DUMP: Date of this level 0 dump: Mon Nov  3 12:54:40 2014
    DUMP: Date this dump completed:  Mon Nov  3 12:54:40 2014
    DUMP: Average transfer rate: 0 kB/s
    DUMP: DUMP IS DONE




$ cat /etc/dumpdates (or /var/lib/dumpdates)

/dev/sda2 0 Mon Nov  3 12:54:40 2014 -0600





RESTORE

O restore é usado para ler arquivos que foram criados com o dump. Por exemplo, para restaurar o dump de todos os arquivos no diretório atual:

 $ sudo restore -rvf /tmp/boot_backup



Opções úteis do restore:


    -r
    Restaura tudo. O dump é lido e todo o conteúdo é extraído no diretório atual.
     
    -t
    Mostra o conteúdo do dump. Se nenhum argumento for especificado, o comando mostra o conteúdo do diretório raiz do dump. A restauração real não é realizada com esta opção.
     
    -x
    Especifica arquivos ou diretórios para extrair. Se o nome corresponder a um diretório, o diretório é recursivamente extraído. Se não especificar arquivos, todo o conteúdo é extraído.
     
    -i
    Este modo permite a restauração interativa de arquivos do backup. Permite que o usuário escolha o que será restaurado de uma forma interativa. 



Não é possível utilizar -r e -x ao mesmo tempo.






MT



A ferramenta mt é utilizada para controlar os dispositivos de fita magnética. É mais usado para consultar ou posicionar a fita antes ou entre backups e restaurações. Por padrão o mt utiliza a unidade de fita definida na variável de ambiente TAPE.   Você também pode usar a opção -f para especificar o dispositivo de fita.

Apenas o usuário root pode usar o mt. A sintaxe de uso é:

mt [-h] [-f dispositivo] operação [contagem] [argumentos...]

em que

  •     -h:  mostra ajuda (help)
  •     -f dispositivo:  para especificar o dispositivo de fita
  •     operação:  é uma das operações da fita
  •     contagem:  é usado para algumas operações que podem repetir (padrão 1)
  •     argumentos:  opções para algumas operações.




Abaixo alguns exemplos de como usar o mt:

     Exibe informações sobre o estado do dispositivo de fita:
    $ mt status
     
    Rebobina a fita:
    $ mt rewind
     
    Apaga a fita:
    $ mt erase
     
    Move até o fim do arquivo atual:
    $ mt fsf








PROGRAMAS DE BACKUP


Não faltam soluções de backup para o Linux, incluindo soluções proprietárias fornecidas por fabricantes de storage, e soluções open-source. Entre as mais conhecidas:

    Amanda (Advanced Maryland Automatic Network Disk Archiver) usas ferramentas nativas (incluindo o tar e o dump) mas é super configurável e robusto.

    O Amanda é normalmente utilizado em ambientes corporativos rodando Linux. Mais informações no site: http://www.amanda.org.
     

    O Bacula é projetado para backup automático em redes heterogêneas (por exemplo: redes com servidores Linux e Windows). É muito poderoso, mas trabalhoso de configurar.

    O Bacula também costuma estar disponível em distribuições Linux para ambientes corporativos. Mais informações no site: http://www.bacula.org
     

    ​Clonezilla (Alguém lembra do Norton Ghost?) é uma ferramenta muito poderosa e robusta para clonar discos que pode fazer imagens de discos inteiros. As imagens podem ser restauradas localmente ou através da rede, permitindo o uso para backup e para replicar a mesma imagem em vários hosts diferentes.  Mais informações no site: http://clonezilla.org.

    ​Ele  vem em duas versões: Clonezilla live, que é feito para uso local em apenas um computador e o Clonezilla SE, Server Edition, que pode clonar vários computadores ao mesmo tempo.

    O Clonezilla não é difícil de usar e é muito flexível, suportando vários sistemas operacionais (não apenas Linux),  sistemas de arquivos, e boot loaders.

Mais vistos no mês:

As melhores distribuições Linux para 2017

TuxMath - Tux, do Comando da Matemática. Ensino e diversão a crianças.

Teste de Performance de Rede com Iperf

DHCP - Guia Completo

OPNsense - Firewall Open Source

Aula #14 - Os sistemas de arquivos ext2/ext3/ext4

SSD no linux

Ophcrack: Descubra todas as senhas do Windows

Administração de sistema e Deploys: Ansible, Chef, Fabric, Puppet ou Salt?